Docentes debatem saúde, trabalho e aposentadoria em eventos nacionais do ANDES-SN

O ANDES-SN realizou, entre os dias 18 e 22 de setembro, em Brasília (DF), o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente e a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria. A programação também contou com a reunião do Grupo de Trabalho Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), realizada no dia 18, na sede do Sindicato Nacional.

As atividades reuniram docentes de 21 seções sindicais para debater saúde docente, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), intensificação do trabalho, direito à desconexão, adoecimento, aposentadoria, idadismo e participação de docentes aposentadas e aposentados na organização sindical.

Saúde docente e SUS
A primeira mesa do Seminário, realizada no sábado (19), discutiu a defesa do SUS e o compromisso com a determinação social da saúde.

O debate contou com a exposição de Maria Valéria Correia, docente e reitora honorária da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), e Francisco Batista Júnior, da Secretaria de Estado da Saúde no Rio Grande do Norte e ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde. A mesa destacou a necessidade de compreender o processo saúde-doença a partir das condições sociais e históricas em que as pessoas vivem e trabalham.

Foto: Dannyel Simões/ Imprensa ANDES-SN

Nessa perspectiva, questões como classe, gênero e raça não são consideradas apenas fatores que influenciam a saúde, mas dimensões que integram as condições de vida e de trabalho da classe trabalhadora. Também foi reforçada a defesa de um SUS público, de qualidade e sob gestão estatal, além da necessidade de aprofundar a compreensão sobre o próprio conceito de saúde.

Para Lívia Santos, 1ª vice-presidenta da Regional Planalto e da coordenação do GTSSA do ANDES-SN, essa discussão é fundamental para que o enfrentamento ao adoecimento docente não seja reduzido a questões individuais.

“Precisamos ampliar e aprofundar o debate sobre saúde a partir da perspectiva da determinação social, compreendendo como as condições de vida e trabalho interferem no processo de saúde e doença. Isso passa pela defesa do SUS público, de qualidade e sob gestão estatal e pela necessidade de aprofundarmos a própria compreensão sobre o que entendemos por saúde”, avaliou.

Enquete sobre saúde docente
Os resultados da Enquete Nacional do ANDES-SN sobre Saúde Docente também estiveram entre os temas centrais do Seminário. A apresentação feita pelo docente Renne Rodrigues, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), discutiu mudanças no perfil do adoecimento, os efeitos do uso intensivo de tecnologias e as transformações no mundo do trabalho. Leia mais aqui.

Rodrigues apresentou um panorama marcado pela transição epidemiológica, pelo uso intenso de tecnologias e por novas formas de compreender o trabalho e seus efeitos sobre a saúde. O docente apontou como a sobrecarga de trabalho está diretamente relacionada aos afastamentos e à piora na autoavaliação da saúde.

Segundo Lívia Santos, a enquete pode ser utilizada como instrumento de mobilização e organização da categoria, além de subsidiar as reivindicações do Sindicato Nacional junto ao Ministério da Educação (MEC), reitorias e demais espaços de negociação. “A enquete não é o ponto final, mas o início de um processo. Precisamos continuar divulgando os resultados, aprofundando as análises e utilizando essas informações para subsidiar nossas demandas e fortalecer o diálogo com a categoria. Os dados ajudam a explicitar a intensificação do trabalho e podem contribuir para a construção das nossas lutas”, afirmou.

Intensificação do trabalho e direito à desconexão
A discussão sobre saúde foi diretamente relacionada à intensificação e à precarização do trabalho docente. O direito à desconexão foi apresentado pelas docentes Laura Valle Gontijo, da Universidade de Brasília (UnB), e Lívia Santos, que também é docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), como uma reivindicação vinculada às condições de vida e trabalho da categoria.

O debate apontou a necessidade de compreender a desconexão não apenas como uma solução individual para lidar com a sobrecarga, mas como parte da luta por melhores condições de trabalho, pelo direito ao tempo livre e pela melhoria das condições das instituições de ensino.

Carreira, adoecimento e qualidade de vida
O X Seminário Nacional de Saúde prosseguiu no domingo (20) com a mesa sobre a relação entre tempo de carreira, adoecimento e qualidade de vida na aposentadoria, aproximando os debates dos dois eventos. O professor Luiz Henrique Schuch, vice-presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pelotas (Adufpel SSind.), contou sobre a sua trajetória na carreira docente e na organização sindical.

A exposição recuperou momentos da história do ANDES-SN e relacionou as transformações e ataques sofridos pela categoria aos impactos sobre a vida e o trabalho docente, ressaltando a importância da organização e da luta coletiva. Também foram apresentados dados pela economista do Dieese, Mariel Angeli Lopes, sobre o adoecimento docente. As informações apresentadas dialogaram com os resultados identificados pela Enquete Nacional do ANDES-SN.

Experiências de lutas
Ainda no domingo, foi realizada uma roda de conversa sobre as experiências de lutas da categoria docente, que possibilitou o compartilhamento de iniciativas desenvolvidas pelas seções sindicais nas áreas de saúde e aposentadoria. Mesmo com o tempo reduzido para o debate, a atividade evidenciou a diversidade de ações realizadas pelas entidades e reforçou a importância dos resultados da Enquete como elemento de mobilização.

IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria
Na segunda-feira (21), teve início a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria com o debate sobre idadismo no contexto do trabalho docente. O conceito trata do preconceito e discriminação contra pessoas com base na idade, com atenção, nesse caso, aos impactos sobre as pessoas mais velhas.

Foto: Eline Luz/Imprensa

As palestrantes Leides Moura, docente da Universidade de Brasília (UnB), e Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, do Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) e docente da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), abordaram as diferentes formas de preconceito e discriminação associadas à idade.

A discussão destacou como a valorização da juventude está articulada com o capitalismo, que reduz o trabalhador à mercadoria – que é mais passível de ser explorada quando jovem. Também foram debatidas as formas de constituição e expressão desse preconceito e a necessidade de enfrentá-lo no cotidiano.

Para Jacqueline Lima, 1ª secretária do Sindicato Nacional e da coordenação do GTSSA, é necessário aprofundar o acúmulo do ANDES-SN sobre o tema e pensar formas de enfrentamento tanto no âmbito nacional quanto nas seções sindicais.

“Precisamos ampliar o debate sobre o idadismo, aprofundar a compreensão sobre o conceito e construir estratégias de enfrentamento nos diferentes espaços do Sindicato. Isso também nos leva a repensar nosso próprio vocabulário e nossas práticas. Mais do que falar apenas em acolhimento, precisamos fortalecer o engajamento, o compromisso e a participação das e dos docentes aposentados nos espaços do sindicato”, afirmou.

Diagnóstico aposentados
A Jornada também apresentou os resultados do diagnóstico sobre as condições de acolhimento, apoio e suporte às e aos docentes aposentados, divulgado pelo ANDES-SN por meio da Circular nº 394/2026. Confira aqui.

O levantamento reuniu informações encaminhadas por 35 seções sindicais e abordou aspectos como acolhimento, representação, vínculo sindical, atualização cadastral, entre outros. Os resultados apontam que 94,3% das seções oferecem suporte jurídico e administrativo às e aos docentes aposentados, enquanto 48,6% desenvolvem ações de acolhimento ou orientação no momento da transição para a aposentadoria.

Fim da contribuição previdenciária
A última mesa da Jornada tratou do fim da contribuição previdenciária de aposentadas e aposentados do serviço público, abordando os desafios da luta sindical e os efeitos das mudanças na Previdência.

Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

Sara Granemann, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Leandro Madureira, da Assessora Jurídica Nacional (AJN) do ANDES-SN, discutiram o avanço da capitalização e a relação entre os recursos das trabalhadoras e dos trabalhadores e o mercado financeiro, além de questões relacionadas ao endividamento docente.

Em defesa da Previdência Social
Como parte da programação, foi realizado um ato em defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e pelo fim da contribuição previdenciária das aposentadas e dos aposentados, em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

Uma comissão formada por representantes da diretoria do ANDES-SN, da Fasubra e de docentes da base que participavam da Jornada foi recebida por integrantes do governo. Na reunião, foram apresentadas reivindicações da categoria sobre Previdência e a situação das e dos docentes aposentados.

Segundo os representantes do governo, em razão do período de defeso eleitoral, não seria possível avançar naquele momento em algumas das medidas apresentadas. A orientação foi para que o Sindicato protocole o documento novamente após o encerramento do período, para que os pontos apresentados possam ser retomados.

Desafios para a organização sindical
Ao longo das atividades, os debates reforçaram a relação entre as condições de trabalho, o adoecimento e a vida após a aposentadoria. Para as e os participantes, os desafios apresentados exigem que o Sindicato avance na compreensão das causas estruturais do adoecimento e, ao mesmo tempo, fortaleça a mobilização da categoria.

“Não podemos reconhecer o adoecimento como expressão de questões estruturais e, ao mesmo tempo, propor enfrentamentos exclusivamente individuais. É preciso compreender os mecanismos que produzem esse cenário, mas também construir formas de mobilizar a categoria a partir de problemas concretos vivenciados no trabalho. Esse segue sendo um dos grandes desafios que apareceram em diferentes momentos do Seminário e da Jornada”, destacou Lívia Santos.

Jacqueline Lima ressaltou que a articulação entre saúde, trabalho e aposentadoria contribui para fortalecer a atuação do Sindicato. “Os debates mostraram que saúde, trabalho e aposentadoria não são temas separados. São dimensões que atravessam a trajetória das professoras e dos professores e que precisam estar articuladas na nossa organização sindical. Fortalecer a participação das e dos aposentados, enfrentar o idadismo e lutar por melhores condições de trabalho são partes de uma mesma construção coletiva”, concluiu.

Fonte:ANDES-SN- Publicado em 29 de Setembro de 2026 às 09h32. Atualizado em 29 de Setembro de 2026 às 10h49

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