Escalada de violência política atinge candidaturas da esquerda na reta final das eleições

O avanço da intolerância e da violência política no Brasil tem se intensificado no período eleitoral, atingindo de forma direta candidatos, candidatas e militantes do campo progressista. O mesmo tem ocorrido dentro das universidades públicas, com uma ofensiva preocupante da extrema direita contra a comunidade acadêmica.

Diante desse cenário alarmante, o ANDES-SN denuncia a escalada de agressões que coloca em risco o exercício democrático, e a integridade física de lideranças e de trabalhadoras e trabalhadores. O Sindicato Nacional ressalta a necessidade de eleger um Congresso Nacional comprometido com os direitos da classe trabalhadora, governos estaduais que garantam serviços públicos de qualidade e uma Presidência que defenda a soberania interna contra o imperialismo.

Agressões contra candidaturas da esquerda
Entre os episódios recentes de violência contra o campo progressista, destaca-se a ação truculenta sofrida pelo professor e candidato ao governo da Bahia pela Unidade Popular (UP), Aroldo Félix. O docente e militante foi atingido por um tiro de bala de borracha na região do abdômen, disparado pela Polícia Militar da Bahia durante o acompanhamento de uma manifestação de entregadores de aplicativo na Avenida Paralela, em Salvador (BA).

Em Uberlândia (MG), o vereador e candidato a deputado estadual Dr. Igino (PT) precisou suspender suas atividades públicas de campanha após identificar um homem encapuzado em um veículo posicionado em frente à sua residência. Diante da gravidade da ameaça à sua vida, a liderança apresentou denúncia formal à Delegacia de Homicídios e ao Ministério Público.

Outros casos de agressão física e intimidação também foram registrados em diferentes estados. Em Pernambuco, a advogada e candidata a deputada estadual Ruana Bezerra (PSOL) foi atingida na cabeça por uma pedrada durante uma caminhada eleitoral com apoiadores em Ouricuri, no Sertão pernambucano. Em Santa Catarina, a advogada e suplente ao Senado Fernanda Klitzke (PT) foi violentamente agredida por policiais militares em Jaraguá do Sul, sendo derrubada, chutada e alvejada com tiros de bala de borracha à queima-roupa. Também em Minas Gerais, a deputada federal Duda Salabert (PSOL) denunciou ter sofrido agressões e uma tentativa de homicídio enquanto fiscalizava uma mineração ilegal na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima.

Violência política de gênero e a misoginia
A violência política no país assume contornos ainda mais graves quando analisada sob o recorte de gênero, atuando como um mecanismo histórico de dominação e silenciamento, que busca intimidar e expulsar mulheres dos espaços institucionais de poder.

A ex-ministra e candidata ao Senado Marina Silva (Rede-SP) foi alvo de hostilidade e toque físico não consentido por um homem durante uma caminhada eleitoral no centro de São Paulo. Da mesma forma, candidatas como Bella Gonçalves (PT-MG), Andréia de Jesus (PT-MG) e Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) relataram ter recebido ameaças constantes de morte, agressão física, estupro e ataques de conteúdo racista e misógino via mensagens eletrônicas. No Rio de Janeiro, o TRE/RJ reconheceu indícios de violência política de gênero indireta contra a candidata Luciana Boiteux (PSOL), cuja equipe de trabalhadoras de campanha foi coagida e intimidada durante atividades de panfletagem.

Em nota, a diretoria do ANDES-SN já repudiou publicamente a misoginia e as declarações machistas no debate eleitoral, ressaltando que o uso de estereótipos e ofensas contra mulheres visa desqualificar suas atuações políticas e naturalizar o constrangimento na esfera pública. Dados oficiais confirmam a dimensão do problema. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já registrou 117 casos de violência política contra mulheres em 2026.

Defesa intransigente da democracia
O ANDES-SN reafirma seu compromisso histórico com a defesa dos direitos humanos, da democracia e do livre direito de organização e mobilização da classe trabalhadora. A entidade ressalta que a disputa política deve se pautar pelo confronto de ideias e projetos de sociedade, e jamais pela reprodução de preconceitos, violência física, intimidação policial ou ataques misóginos. O Sindicato Nacional exige a apuração rigorosa de todos os episódios de agressão e a responsabilização imediata dos envolvidos pelas autoridades competentes.

Fonte: ANDES-SN – Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 17h27. Com informações do Brasil de Fato

Compartilhe em suas redes sociais
×