Reunidos em Salvador (BA) durante o 44º Congresso do ANDES-SN, docentes negras e negros do ensino superior e da Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT) divulgaram ontem (05/03), uma carta pública denunciando o racismo estrutural presente nas universidades e nas próprias instituições sindicais.

No documento, o coletivo que organizou a carta afirma que concursos públicos, editais e bancas avaliadoras ainda reproduzem desigualdades raciais ao desconsiderarem trajetórias marcadas por desigualdades sociais e raciais. A carta também destaca que, apesar dos avanços legais, as universidades e o sindicato permanecem majoritariamente brancos, resultado de um processo histórico que ainda precisa ser enfrentado.

O texto denuncia o descumprimento recorrente da Lei 12.990/2014, que garante a reserva de vagas para pessoas negras em concursos públicos federais. Segundo o coletivo, muitas instituições têm ignorado ou esvaziado a aplicação da lei por meio de interpretações administrativas que fragmentam ou retiram vagas destinadas à população negra. Para as e os docentes, essa prática evidencia o racismo institucional e provoca impactos concretos nas trajetórias profissionais, interrompendo carreiras acadêmicas e reduzindo a presença de professoras/es e pesquisadoras/es negras/os nas universidades.

Na carta, o coletivo também reivindica medidas concretas de enfrentamento ao racismo, como concursos que garantam efetivamente as ações afirmativas, formação antirracista nas instituições e protocolos de acolhimento e proteção para vítimas de discriminação. O documento afirma ainda que a luta antirracista fortalece o próprio sindicato e reafirma o compromisso de ampliar a presença de docentes negras e negros nas instâncias de decisão. Ao final, o coletivo destaca que continuará denunciando o racismo e ocupando espaços de debate e decisão nas universidades e no movimento sindical.
Fotos: ADUFPEL
Fonte: ADUEPB – 06/03/2026
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