Pesquisa revela que sete em cada dez brasileiros são contra as privatizações

De cada dez brasileiros, sete são contra a privatização de estatais. O dado é resultado de uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada nesta terça-feira (26). A maioria da população (67%) também vê mais prejuízos que benefícios na venda de companhias brasileiras para grupos estrangeiros.
A pesquisa do Datafolha ouviu 2.765 pessoas com margem de erro de dois pontos percentuais. Segundo o levantamento, a oposição às privatizações predomina em praticamente todos os setores analisados, seja por região, sexo, escolaridade, preferência partidária e aprovação à gestão Temer.
Até entre eleitores de partidos e políticos que são favoráveis à venda de estatais, como o PSDB – que historicamente apoiou e promoveu desestatizações-, 55% se disseram contrários, e 37%, a favor. Mesmo entre os pesquisados com renda superior a dez salários mínimos por mês, onde a privatização tem um pouco mais de aceitação, o resultado também é quase dividido com 45% se dizendo contra.
A privatização da Petrobras é uma das propostas mais rechaçadas pela maior parte da população: 70% se disseram contrários, e 21%, a favor. Os demais não souberam responder ou se disseram indiferentes.
Outro importante dado da pesquisa revela que a participação de capital estrangeiro na Petrobras tem oposição ainda maior: 78% se disseram contra, e 15%, a favor.
Tapa na cara do governo
O resultado dessa pesquisa é um tapa na cara do governo entreguista de Temer que tem como uma de suas principais políticas um programa de desestatização que inclui a venda de 57 empresas públicas, incluindo a Eletrobras e os Correios, sem contar o avanço da privatização e venda de ativos da própria Petrobras.
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“Após anos das privatizações iniciadas pelo PSDB, mas também continuadas pelo PT e PMDB, a população percebe cada vez mais os efeitos nefastos. Seja ao ver hoje os serviços caros e de má qualidade das operadoras de telefonia ou ainda o quanto o país perdeu ao entregar, a preço de banana, estatais como a Vale ou a CSN”, avalia o dirigente da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.
“A combinação de privatização e desnacionalização também é rejeitada pela população como demonstra a pesquisa em relação à rejeição à participação de capital estrangeiro na Petrobras”, disse.
“Cabe às centrais sindicais e sindicatos organizarmos os trabalhadores para barrar a ofensiva privatista de Temer, bem como lutar pela reestatização de empresas como a Embraer que, coincidentemente, está sob risco de ser desnacionalizada com as negociações em andamento para sua compra pela norte-americana Boeing, o que pode trazer demissões em massa e a perda total dessa empresa estratégica para o país”, defendeu o dirigente.

Fonte: CSP – Conlutas – 26/12/17

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